sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Paciência

Essa semana a paciência faltou. Não sei para onde ela foi, mas sei que andou sumida. Nina agora não é mais um bebê e quando não gosta ou não entende alguma coisa, ela retruca, responde, grita. Eu me assustei da primeira vez. Não esperava aquela reação, respondi de volta , indignada. Mas aquela era só a primeira de muitas argumentações que vieram e que ainda virão. Eu sei que argumentações não precisam ser desrespeitosas, mas ela ainda não sabe. Cabe a mim ensiná-la, já que também não nasci sabendo disso.

Para a Nina a insatisfação só tem uma cara: a do grito. Ela fica na defensiva quando a repreendo e se protege. E diz que não é mais minha amiga. E diz que não quer mais saber de mim. E me chama de boba. Agora imagina a mãe daquele bebê fofo cheio de dobras ver a criaturinha se transformar numa criança revoltadinha da silva. "É comum" - todos me dizem e o meu lado consciente sabe que é, mas a minha emoção não. E me controlo o tempo todo para não responder gritando aos gritos dela. Me concentro para explicar mil vezes a mesma coisa. Para tentar fazer com que ela entenda que é perigoso sair correndo na rua e que bagunças sempre precisam ser arrumadas (um dia).

Não me lembro quando, mas eu ouvi alguém dizer que educar é repetir todos os dias a mesma coisa, incansavelmente. Não há frase mais correta. É um processo contínuo que tem a paciência como peça-chave. Mas essa semana, a paciência faltou. Meus argumentos faltaram e eu cansei de explicar tudo, de repetir, de esperar que ela aprenda, de arrumar a bagunça que eu pedi que não fosse feita. E no meio do meu cansaço, da minha falta de forças e do meu estresse, ela pegou a minha mão e deu um beijo. Pediu colo e me abraçou. E olhando bem no meu olho falou: "Mamãííím, eu ainda sou o seu amor?"

Sempre filha. Sempre.

E tudo fez sentido de novo.

sábado, 3 de novembro de 2012

Embarque nesse carrossel...

E no momento senta no divã, eu tenho que confessar: eu assistia Carrossel. Sim, essa mesma, a novelinha mexicana com o Sirilo e Maria Joaquina. Dramalhão, exagerada, sem noção, sim, eu amava. Vi todos os 1.957.458 capítulos (porque Carrossel era a novela sem fim).

* Pausa.
Minha infância televisiva foi tosca. Vou listar aqui meus favoritos ever da sessão da tarde:
- Karatê kid
- Um tira da pesada
- Um príncipe em NY
- Vivendo a vida adoidado
- Os Goonies
Agora a pior parte: se eu ligar essa tela plana, de LCD, cheia de mil polegadas que habita minha sala e estiver passando:
- Karatê kid
- Um tira da pesada
- Um príncipe em NY
- Vivendo a vida adoidado
- Os Goonies
Eu assisto sem pestanejar, claro.
* Despausa.

Bom, mas aí que eu via Carrossel. Era um clássico da minha infância, todo mundo via, mas era coisa de criancinha, então ninguém assumia. Eu lá no auge dos meus 9 anos, me achando a pré-adolescente nem comentava que assistia o trem na escola, mas chegava em casa doida pra saber da professora Helena e companhia. Aí o Silvio Santos, que está ficando gagá, vamos combinar, resolveu regravar a bagaça. Atores brasileiros, a mesma historinha, blá, blá, blá.

Mas a Nina ainda vai fazer 3 anos e achei que Carrossel não era a boa. Nem apresentei para ela a novelinha. Era como se não existisse.

* Pausa II.
Eu não sou do time das pessoas anti-televisão. Nem poderia. Eu amo uma televisão, sou jornalista, noveleira e adoro um seriado. Me vicio em um de cada vez e fico orfã quando eles vão embora, estilo Friends, House e essa tchurma toda. Adoro futebol, vejo um monte de programa ruim só pra poder falar mal e não coloca uma galerinha cantando pra competir na minha frente que me envolvo, choro e o escambau. Sendo assim nunca proibi a Nina de ver TV. Regulo, claro, seleciono, mas deixo ela ser tosca também, afinal isso vem de berço. O desenho favorito dela, por exemplo, é Bob Esponja, ou seja, mais minha filha impossível.
* Despausa II.

Mas Carrossel não. Não está na idade, era um sofrimento só aquela novela e o Silvio tá gagá, vai saber se ele resolve mudar a história ou se tira o troço no ar no meio do caminho, sei lá. Carrossel não.

Daí que um dia estou em casa e ela chega na sala e solta:

- Mamãííím, óia o que eu sei cantar: "Embarque nesse Carrussel, onde o mundo faz de conta, nesse Carrussel"
- Oi???
- Assim ó: "Embarque nesse Carrussel, onde o mundo faz de conta, nesse Carrussel"
- Quem te ensinou essa música Nina?
- Os meus amigos, na escola.

Chupa essa manga mamãe.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Oia nóis aqui traveiz!

Ei! Psiu? Ainda tem alguém por aí?

17 de agosto foi a data da minha última postagem.  Ou seja, mais de dois meses meu povo. Não que a vida não tenha andado cheia de coisas novas pra contar, não que a Nina não esteja a coisa mais deliciosamente deliciosa do universo, não que eu não tenha sentido falta do blog, mas a verdade é que não deu.

Não sei bem porque, mas faltou tempo. No meio do tempo que já faltava tive um aborrecimento e mudei a Nina de escola. Tirei ela daquele ambiente que ela se encontrava desde bebê quando tive que voltar a trabalhar e levei para uma escola nova, mais ampla, com cara de escola mesmo, daquelas que o sinal toca e as crianças entram, sabe? Com isso bye, bye refeições no cardápio da creche. Agora Nina almoça em casa, entra na escola às 13h e sai às 17h30. Meu horário de trabalho reduziu-se, mais uma vez. Minha quantidade de trabalho aumentou-se, mais uma vez.

Eu não tenho empregada, então é comigo mesmo. Fazer almoço e jantar, lavar, limpar e (tentar) arrumar a casa depois da passagem do furacão Nina que coloca qualquer Sandy no chinelo, viu? Além disso tenho que tocar a nova empreitada das festas - que anda muito bem, graças! - e mais os meus freelas de jornalismo que continuam rolando. Além disso tenho que brigar com banco que resolveu F... com a minha vida. Além disso tenho que tentar manter a dieta. Além disso tem a Pietra, essa fofa, que destrói minha casa. Além disso tem o Flusão com a mão na taça do campeonato. Além disso tem o marido que trabalha pacas e não tem tempo pra me ajudar. Além disso tem o calor no Rio de Janeiro que chegou para aumentar minha conta e luz. Ou seja, coisa muita acontecendo ao mesmo tempo para o meu dia de somente 24 míseras horinhas.

Bom, vamos a algumas breves atualizações. Nina não é mais careca faz tempo, mas agora ela anda abusando da cabeleira. Tem cachos, muitos. Lindos e dourados.

Mal criação a gente se vê por aqui. A criança anda com a macaca. As vezes dou uma surtada e me apego ao mantra pra me acalmar. Muitas técnicas de respiração e o foco no "a adulta é você".

A cama compartilhada, segue mais compartilhada do que nunca. A criança tem pesadelos e já desisti de tentar fazer ela dormir só. Seguimos amontoados.

A criança anda muito esperta, toda independente e performática. Fala sozinha. Faz encenações e dá risinhos para a parede. Pede pra fazer rabo de cavalo e outro dia me pediu pra comprar pra ela um cabelo comprido. Durante o banho, quando a água estica as madeixas, ela se sente num comercial de shampoo e começa a sacudir a cabeça pra sentir os fios esfregando nas costas. Detesta ficar de roupa, chega em casa arrancando tudo e numa dessas veio pra mim:

- Tila meu vestido, mamãííím!
 A louca, no caso eu, fazendo mil coisas, nem pensou duas vezes, levantou os braços da crianças e puxou o vestido, segurando o telefone com cabeça e o ombro, a água correndo na pia, a cachorra tentando roubar o lixo. Foi aí que ouvi um som abafado, uma vozinha, vinda de dentro do vestido.
- Mamãííím, num tem que disabutuá?
Putz, entalei a cria. #mãedemerda.

É isso aí gentchem! Voltei, tô na área!




sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Luna, a amiga imaginária.

E um dia, sem mais nem menos, todas as bonecas viraram "Luna". Depois todos os bichos de pelúcia viraram "Luna" e por fim todos os passeios e programas passaram a ser feitos com a presença da Luna.

Na escola da Nina não há nenhuma criança que se chame Luna.

Eu não tenho amigas com esse nome, na verdade não conheço nenhuma Luna, ou não conhecia, porque agora ela anda ali tête-à-tête com a minha filha. Todo o dia temos o mesmo diálogo:

- Mamaííím, hoje eu fui na casa da Luna.
- E foi legal filha?
- Sim. Vamos lá comigo depois?
- Vamos.

Ela nunca me leva, mas sempre me convida. Conta histórias do que fez com a Luna e ontem na hora de dormir pegou três bonecas, três Lunas, e arrumou todas na cama pra deitar com ela. Quando viu que estava sem espaço, soltou:

- Eu vai colocar essa depois porque se não não vai ter espaço pra Luna.

Então agora aqui em casa somos eu, maridin, Nina, Pietra e Luna, ok?

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Qualquer semelhança é mera coincidência...

Felícia: "Eu vou te amar, te abraçar, te beijar, te apertar, até te fazer em mil pedacinhos..."
Imagem daqui
 Nina: ...
Pequena filhote: - Hummm, será que dá pra pular?"
"Porra, me tira daqui!"
"Eu vou cair, cês num tão vendo???"
Observações maternas:
  • A dona da filhotinha concordou e foi conivente com essa tortura em praça pública.
  • Nina fez um escândalo na hora de ir embora, porque não queria deixar "sua filha", que, segundo ela, precisava beber água às 14h30 (oi???).
  • A mancha na saia da Nina é fruto da golfada que a filhotinha deu, após a demonstração de carinho da minha Felícia.




quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Menina gandi.

Diálogo da mãe que vos fala com a pequena "gandi" Nina:

- Mamãííím, eu sô gandi?
- Sim filha. Você já está muito grande.
- Mas o papai falou que eu sô pequena.
- Não, não, dona Nina. O papai também acha que você está bem grande. Tanto que nem precisa mais andar no colo, né?
- Nãoo mammaííím, eu sô gandi, mas é que tô com uma dor aqui nas minhas costas...

Chupa essa manga, papai




Dica para NÃO leitura

No fim de semana fui dar uma volta com a Nina na pracinha. Ela queria comprar um livro e passou o caminho todo falando isso. Quando chegamos lá, antes de nos jogarmos na terra suja, no pula-pula e no escorrega, entramos na papelaria em busca de um livrinho legalzin para a pequena. Não eram muitas as opções, mas tinha uma estante com alguns exemplares, muitos de uma coleção chamada "Contos Clássicos", da editora FTD.

Eram aquelas historinhas que todo mundo conhece, ou acha que conhece: Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, João e Maria... tentei escolher um outro, tinha um bem interessante com umas ilustrações lindas, mas Nina agarrou-se na Branca de Neve e não teve santo para fazer ela mudar de ideia. Voto vencido, catei a tal princesa e fui pagar, sem olhar o conteúdo do livro. Eu sei, podem me xingar agora.

Cara, o texto é pavoroso. A Nina não sabe ler e claro que não reproduzi para ela as atrocidades, mas mesmo assim ela ficou tão chocada com a cena final da bruxa, com os pés acorrentados, que desde então têm pesadelos e não dorme mais sozinha. Tá bom pra vocês?

Vou reproduzir duas partes, as piores, pra vocês sentirem drama:
"- Fuja, menina, fuja - disse ele.
Afinal, se ela ficasse na floresta seria devorada por animais ferozes, mas não teria sido ele a matá-la.
Na volta, o caçador matou uma corça e entregou o coração do animal para a rainha como se fosse o da princesa.
Satisfeita, ela mandou cozinhar o coração para comer."
"Num braseiro, os guardas aqueceram um par de sapatos de ferro, que a rainha foi obrigada a calçar. E ela teve que dançar com esses sapatos em brasa até morrer. Os jovens se casaram e puderam enfim ser felizes, sem temer mais nenhuma maldade da invejosa." 
Lógico, né gente, pensa bem: COMO o casalzinho poderia ter sido feliz para sempre sem antes ter torturado a rainha até a morte? Impossível, certamente.

Agora, cê jura que isso é um livro infantil? Eu concordo que os contos de fadas "clássicos" são mesmo trágicos e exagerados, mas convenhamos tchurminha, foi demais.

E o troféu nonsense vai para:


Imagem daqui.